O Despertar

Sinceramente eu não sei como começar a descrever um momento tão crítico para um vampiro, mas farei o melhor possível.

Bem, como a própria palavra revela o despertar é o momento no qual um vampiro passa a ter consciência do que é, dos seus instintos, de suas sensações e percepções perante o mundo. E pode acontecer de duas formas:

- Naturalmente: O vampiro se descobre por ele mesmo, respeitando o seu tempo de entendimento para o que é, para o que sua essência representa. Este despertar é o mais comum pois se respeita o tempo de cada um e segue a ordem dos acontecimentos naturalmente. Muitas vezes os deparamos com latentes mas nem sempre o latente esta emocionalmente preparado para arcar com seu verdadeiro self.

- Despertar pela troca: O vampiro latente é evacuado energéticamente por outro vampiro, seja por drenagem energética usando o veículo sanguíneo ou pela prânica propriamente dita, em seguida é abastecido pela vitae contida no corpo do vampiro, também seguindo o mesmo padrão usado para evacuar o latente. Tenho que salientar que em hipotese alguma alguém que não tenha essência vampirica possa ser "transformado" em um vampiro real. Muitas pessoas confundem a troca com o famoso "turning" lendário, e muitos se aproveitam disto iludindo adeptos.

Embora o despertar pela troca seja possível é pouco aconselhável, pois ao invés de ser lento ele se torna um turbilhão de sensações de emoções e de carência de vitae, e o latente nem sempre esta preparado para suportar os acontecimentos e o peso de seu existir, pois com consciência de sua própria essência a responsabilidade para com seus atos também aumenta no mesmo grau.

Muitas vezes um vampiro latente desperta pelo simples contato com um vampiro já desperto e forte, e neste caso a tendência é que o vampiro experiente aconselhe e guie o mais jovem em sua jornada, mas em hipotese alguma é aconselhavel que o mais velho indusa ou acelere o despertar do mais novo, um vampiro verdadeiramente experiente sabe o quão importante é o despertar gradativo, pois ele dará sustentação para que o novato atinja a plena consciência de sua essência com a segurança necessária para que ele se torne forte um dia e em equilíbrio consigo mesmo e com o mundo em que vive.

O despertar é o momento em que ao mesmo tempo que os véus da humanidade caem perante nossos olhos nos revelando um mundo diferente mais vivo e mais belo onde sentimos com mais intensidade a vida, nos revela também o que somos, despertando a fome e a insegurança.

Insegurança, porque ainda não entendemos a maioria de nossas habilidades, pois estas ainda estão aflorando, e muitos de nós temem estes sentimentos, pois ainda não acreditam que isso está realmente acontecendo com eles. Eu particularmente me questionava muito sobre o que realmente estava acontecendo comigo, se eu não estava enlouquecendo ou algo do gênero.

Começamos a perceber também o quão diferente somos de todas as pessoas com quem sempre contamos a vida toda, nossos familiares, nossos amigos e etc... e que elas não poderão nos ajudar neste momento, pois o ser humano teme aquilo que ele desconhece e dificilmente aceita fatos que fogem à sua percepção limitada da realidade.

Eu acredito que uma das coisas que mais pesa no despertar é o medo de nós mesmos, de nossos sentimentos com relação ao mundo e o surgimento do Ego, grandioso e perigoso como uma faca de dois gumes.

Obviamente que com a ajuda de um igual esta passagem inicial se torna menos dolorida, mais o medo vem da certeza de que nós é que temos que aprender a conviver conosco mesmo, aprender a superar nossas fraquezas e a controlar nossas habilidades e nossos instintos para podermos assim, coexistir com o resto da humanidade, e isto ninguém pode fazer em nosso lugar, pois somos tão variados em nossas necessidades, habilidades e tipo como para humanos em suas raças e crenças e intelecto.

Acredita-se que o Despertar nos acompanha pela nossa vida inteira neste plano, pois sempre estamos nos descobrindo e entendendo, aprendendo a viver neste plano denso demais para nossa natureza sutil. A cada dia que se passa, nos tornamos mais fortes, nossa essência se manifesta no fisíco cada vez mais evidente, nossas habilidades crescem e se aprimoram, mas a fome e as senssibilidades aumentam proporcionalmente, a necessidade de vitae segue o mesmo ritimo.

Há, por outro lado, aqueles que agem como vampiros, aprenderam a drenar a vitae e o fazem por pura vaidade, neste caso não há evidencias de essência vmpírica real mas sim de um vampirismo voluntário. A diferença destes para os vampiros reais esta na essência, pois uma coisa é aprender a agir como um vampiro a outra, bem diferente, é ser um vampiro em essência. Um vampiro real tem muitas habilidades naturais e tem uma visão e percepção do mundo que um ser humano levaria muito tempo para aprender a desenvolver. No caso do vampirismo voluntário há, quase sempre o esquecimento de uma premissa universal ( "tu serás cobrado de acordo com suas potencialidades" ) e muitos dos que se empenham em agir como vampiros por vaidade, caem em rituais fazem barganhas com entidades de baixa estirpe (devo deixar claro que nenhum vampiro no astral atende a chamados por rituais, geralmente entidades baixas se fazem passar por vampiricas para ludibriar e rir dos incautos ambiciosos que as chamam) achando que vão viver mais e ter mais poder, caem em desgraça e pagam um alto preço por todos aqueles que eles iludiram e arrastaram para seu penhasco, pois nem sempre poder e conhecimento estão juntos com a sabedoria, não adianta desenvolver habilidades sem que se tenha a noção exata do que fazer com elas e por que fazer, fatores estes que não há melhor mestre que o tempo de existência de cada essência.

Por Nexus Polaris


"Aprendi a viver... a sentir a odiar... minha verdadeira essência desperta minha sede minha vontade de gritar...quebrei os portões do inferno para aqui estar...senti a dor da vida em minhas veias...como ácido corroendo meu corpo...gritei... para nunca mais me calar....sou um vampiro..."

Nexus Polaris